NOTICIAS LOCAL Câmara de Bonito se cala diante das prisões e esposa de vereador envolvida na Operação Águas Turvas

NOTICIAS LOCAL  Câmara de Bonito se cala diante das prisões e esposa de vereador envolvida na Operação Águas Turvas

Bonito (MS) – O silêncio da Câmara Municipal de Bonito tem causado indignação entre moradores e lideranças locais após as recentes prisões realizadas na Operação Águas Turvas, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). A investigação revelou um suposto esquema de corrupção em licitações públicas de obras e serviços de engenharia no município, movimentando cerca de R$ 4,3 milhões em contratos suspeitos.

Entre os presos está Luciane Cínthia Pazzete, diretora do Departamento de Licitação da Prefeitura, esposa do vereador Pedro Aparecido Rosário, conhecido como Pedrinho da Marambaia (PP). Luciane havia sido homenageada pela própria Câmara Municipal dias antes de sua prisão, em sessão na qual recebeu moção de elogio proposta justamente pelo marido.

Enquanto o caso ganha repercussão estadual, a Câmara permanece em silêncio. Nenhum vereador apresentou, até o momento, pedido de apuração interna, afastamento, ou mesmo nota pública em defesa da transparência e da moralidade no serviço público. A ausência de posicionamento tem gerado questionamentos sobre a postura dos parlamentares diante de denúncias graves que atingem diretamente o Executivo e o próprio Legislativo bonitense.

A Operação Águas Turvas prendeu ainda o secretário municipal de Administração e Finanças, Edilberto Cruz Gonçalves, conhecido como Beto Caveira, além de empresários e outros servidores ligados aos contratos investigados. O prefeito Josmail Rodrigues exonerou os servidores presos, mas também foi criticado por ter demorado a se manifestar publicamente sobre o caso.

Nas redes sociais e rodas de conversa, a população de Bonito cobra transparência e atitude. Muitos pedem que a Câmara convoque sessão extraordinária para discutir o envolvimento de servidores e familiares de vereadores nas irregularidades apuradas.

“O povo quer respostas. Bonito merece respeito e lisura com o dinheiro público”, afirmou um morador ouvido pela reportagem.

Enquanto isso, a expectativa é de que o Ministério Público conclua as investigações nas próximas semanas, podendo oferecer denúncia formal à Justiça. Até lá, o silêncio da Câmara segue sendo visto como cumplicidade por parte da população, que exige dos seus representantes a mesma coragem que o Ministério Público demonstrou ao abrir a operação.